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Mensan do Mês

maio de 2002
 
José Rolim Valença nasceu no ano da grande depressão, 1929, razão pela qual ainda hoje esteja um tanto deprê. Foi sempre criança-prodígio, status que procura manter ainda hoje, aos 73, embora sem o mesmo sucesso de antes. Fez o primário na Escolinha do Seu Ciro (conforme descrito no primeiro número do Jornal Mensa Brasil) onde aprendeu também datilografia e onde, aos 9 anos, produzia um jornalzinho de tiragem 1, circulando de mão em mão. Fez o ginásio em São Paulo, quando ainda se ensinava Latim na quarta série, assim como Inglês e Francês. Foi sempre péssimo em todos os esportes. Fez o Científico no Paulistano, onde teve professores fantásticos, como Laerte Ramos de Carvalho, Benedito Castrucci, Max Gevaertz e Oswaldo Sangiorgi. Felizmente, com a sorte de ter professores argutos desde o curso primário, gerenciou sua inteligência sem grandes traumas e até conseguia integrar-se com os colegas mais populares ou atléticos.

Trabalha desde os 12 anos, quando era "espião" industrial, anotando as compras de tomates no Mercado Municipal, dos concorrentes da Fábrica Peixe, onde seu pai trabalhava, para que a empresa pudesse calcular a produção. Aos 13 anos, foi office-boy na Standard Propaganda, onde entregava "estéreos" (placas de chumbo em alto relevo, do tamanho de uma página de jornal, pesadíssimas, para publicação de anúncios nos jornais) e onde aprendeu a desenhar com Jurandir U. Campos, genro de Monteiro Lobato e que ilustrou, como o Belmonte, muitos de seus livros, inclusive o famoso "Jeca Tatu", que não era mais do que um anúncio para a Ankilostomina Fontoura, um remédio contra vermes. Formou-se em Jornalismo na segunda turma da "Casper Líbero", que então ensinava Jornalismo extremamente prático, com professores oriundos das redações e oficinas. Participava do jornal "A Imprensa", da Casper Líbero, e mais tarde produzia o newsletter "Marche-Marche" no Curso de Infantaria do CPOR. É ferrenho defensor do trabalho infantil e adolescente como formador de caráter.

Fez o Curso Livre de Arte com modelos vivos sob a orientação de Pietro Maria Bardi no Museu de Arte de São Paulo, fez dois anos de Criminalística na Escola de Polícia de São Paulo, onde aprendeu modelagem em gêsso, datiloscopia e a desmontar (e às vezes até a montar) uma máquina fotográfica Leica. Produziu a revista "Vida na GM", publicação oficial da General Motors do Brasil e depois fez carreia na Ford onde começou como editor do jornal "Notícias Ford do Brasil", e eventualmente chegou a gerente de escritório. Foi diretor de Merchandising do Grupo Fontoura, Anakol e Fontoura Whyte, tendo criado com a McCann Erickson Propaganda, para a Kolynos, a campanha "Ah!", que foi o tema publicitário mais longamente utilizado no Brasil, durante quase 40 anos. Foi chefe de grupo, criador e diretor de relações públicas da J. Walter Thompson Propaganda, e mais tarde, Chefe de Criação para Rádio, TV e Cinema.

Teve sua própria empresa, a AAB, que chegou a ter 80 funcionários, e escritórios em Nova York e Bruxelas, além de Rio, São Paulo e Porto Alegre. Vendeu a empresa para o Grupo Ogilvy & Mather, onde permaneceu como vice-presidente executivo da holding e presidente da sua ex-própria AAB. Ocupou a função de Diretor de RP para a América Latina e mais tarde a de Senior Consultant Worldwide. Freqüentou, pela Ogilvy, o "Advanced Management Program" pela Harvard Business School. Dedicou-se quase integralmente a trabalhos internacionais, tendo dirigido a parte de comunicações da feira "Brasil Export" em Bruxelas, para 12 países da Europa, comandando uma equipe multilingüe de brasileiros e de consultores locais, promoveu o Banco do Brasil em Cingapura, onde realizou uma semana de eventos culturais. Nessa época, chegava a passar mais de 200 noites por ano fora do Brasil. Escrevia uma secção permanente sobre tecnologia para a sofisticada revista "Senhor", dirigida por Mino Carta. Escapou de um "riot" racial em Detroit escondido num pórtico, atravessou revoluções na Colômbia, naufragou perto da Ilha Bela quando representava o Centauro Moto Clube em um campeonato de pesca submarina para o qual não tinha absolutamente nenhuma qualificação para competir. Escalou o Huayna Picchu, aquela montanha que fica junto de Macchu Picchu. Morria de medo de viajar de avião, até aprender a pilotar um monomotor PA-28.

Fez conferências no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Escreveu livros, artigos, poemas, material técnico e profissional. Dois de seus livros, sobre arte pré-histórica brasileira e sobre música popular (de Cabral a Chiquinha Gonzaga) fazem parte da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Foi fundador da Sociedade Portuguesa de Relações Públicas e diretor para o Brasil da International Public Relations Association da Europa. Foi consultor para assuntos brasileiros na Pace University de Nova York. Em sua vida profissional recebeu diplomas títulos e prêmios. Destacam-se os 7 prêmios "Opinião Pública" pela Conselho de RP de São Paulo e o título de membro honorário e remido da Associação Brasileira de Relações Públicas, da qual foi fundador. No ambiente internacional, recebeu em Budapest o "Golden World Award" pela campanha de replantio do pau-brasil, para a Amway. Em 1996, em St. Louis, recebeu pela Public Relations Society of America o "Atlas Award", um prêmio por "lifetime achievement" no campo das relações públicas internacionais. Foi o primeiro não-americano a receber essa honraria.

Tomou conhecimento da Mensa Internacional através de um contato casual com a Associação Brasileira de Super Dotados, de João Bina Machado. Já existiam então 19 membros isolados do Brasil na MI. Procurou dinamizar o grupo publicando um jornal em xerox, que sobreviveu duas edições e parou por inércia, numa época em que tudo tinha que ser escrito, envelopado, selado e despachado. Só a Internet viria possibilitar essa dinamização, uma década mais tarde e com gente nova no comando.
A Mensa parecia uma resposta a muitas situações enfrentadas desde a infância, quando havia a necessidade de disfarçar que entendia as coisas mais depressa, ou que havia entrado numa prova sem ter estudado nada.

Tem dois filhos, Alice e Paulo. Seus hobbies, tênis e mergulho, além de pintar e escrever. Hoje está aposentado e altamente irriquieto em um apartamento na praia de Tambaú em João Pessoa, na Paraíba.


Rolim é o mensan número 1 do Brasil, e editor do jornal interno Mensa Brasil.

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