Mensa na Festa Literária de Parati - FLIP 2006
O Poeta, contista, ilustrador e cartunista e Mensan, Leandro Leite Leocádio irá participar da programação da OFF - FLIP com os poemas: "Sem palavras", "O tempo" e "A noz" (abaixo em primeira mão)
"Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em outros locais. A oficina literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros. Há também uma programação exclusiva para as crianças – a Flipinha, em que jovens estudantes de Parati apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de livros, batizada de OFF-FLIP."
Leocádio participa ainda do "Tirando de Letra", um jogo de futebol dos "Bons de Letra x Bons de Bola", isto é, entre escritores convidados da FLIP e um time formado por uma seleção de jogadores paratienses. A partida entre os times "Bons de letra" e "Bons de Bola" acontecerá no domingo, dia 13 de agosto, às 10 horas da manhã, no Estádio Municipal.
Site oficial do Evento: http://www.flip.org.br
SEM PALAVRAS
Que ningu ém seja contra
A que vou dizer,
Mesmo eu sendo um cabe ça-de-bagre.
Que ningu ém seja contra
A que vou falar,
Mas santo de casa n no faz milagre.
O robusto marido esportista,
Triatleta e fisiculturista,
Campeão de judô e maratona,
A esposa decepciona
Quando tenta e nã o consegue
Abrir um vidro de azeitona.
A irmã do dentista é banguela,
O filho do churrasqueiro nunca comeu vitela.
Aquela "top model" famosa
Sempre tem dor de cabe ça
Quando o marido a procura.
O ex ército brasileiro,
No lugar de defender,
Instaurou no pa ís
A tã o dita ditadura.
A luz do quarto do eletricista não acende,
A respeitada psicóloga tem um filho que é demente.
Eu mesmo, escritor
Que sou, ou que tento ser,
Nno consigo escrever
Nem, ao menos, tão somente,
Uma frase pra vocL.
O TEMPO
Nã o há tempo,
Tenho pressa.
Bateu vento,
Vamos nessa.
Deu a hora,
Vamos indo,
A aurora
J á vem vindo.
É o mundo,
Minha gente,
L á no fundo,
Que é corrente.
Correnteza
Sem igual
Da destreza
Temporal.
S ó lamento,
Ao correr,
O momento
Nã o viver.
E o palhaço
Não chegou.
Já o maço,
Se acabou.
A avenida
Está parada.
Minha vida,
Acelerada.
Vida é longa
Quando surta,
Mas termina,
Por ser curta.
A NOZ
Ilusã o atroz
De quem traz a noz
Fechada de dor
Deste meu amor.
Trata-se de noz
Cuja casca dura,
De larga espessura,
Est á entre nós.
Precisa de amor
De forte cutelo,
Que desmanche a casca
Sem deixar farelo.
E, deste recheio,
Deleitar-se-á
No bolo, no meio
Da torta, no ch á,
No manjar mais fino,
Com um belo vinho,
Com uma cervejinha,
Sem sair da linha.
Amor bom é este
De apreciar,
Não importa como,
Quando e o lugar.
Amor bom é este
De saborear,
Mas, ai!, não tem jeito,
Tem que descascar.
Leandro Leite Leocadio. Poeta, contista, ilustrador e cartunista. Teve uma infãncia multirregional, tendo vivido no Rio de Janeiro, em São Paulo e Natal, capital do Rio Grande do Norte.
Nunca freqüentou qualquer escola de arte, tendo começado a desenhar e escrever por iniciativa própria desde tenra idade. Em 1993, no Centro Cultural São Paulo, realizou sua primeira exposição de cartuns a nanquim, aquarela e guache na H.Q. Brasil da ABRA, Academia Brasileira de Artes, tendo exposto, também, em 1995, na II H.Q. Brasil, promovida pela mesma instituição.
Formado em direito, foi colaborador de O Pasquim 21 – jornal dirigido por Ziraldo –, vindo a escrever para diversos sites, jornais e revistas. |